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O escocês Alex Ferguson está no comando do Manchester United há nada menos que 24 anos. Algo impensável para a realidade do futebol brasileiro, onde um técnico não resiste a três derrotas consecutivas no cargo. No interior de São Paulo, porém, um clube e um treinador estão mudando a regra. Marcelo Veiga completou sábado, na vitória por 2 a 1 sobre o Santos, 307 jogos no Bragantino, em três anos e oito meses.
E os números de Marcelo Veiga poderiam ser ainda mais impressionantes se não fosse a meteórica passagem de quatro meses por Paulista de Jundiaí e América-RN. A primeira vez em que assumiu a equipe de Bragança Paulista foi em dezembro de 2004, quando o clube atravessava crise financeira tão grave que teve até seu estádio interditado. Em 2005, o técnico, descoberto na Matonense, já levava o Bragantino à 1.ª Divisão estadual.
Neste mesmo ano, foi vice-campeão da Copa Federação, o que valeu vaga na Série C do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, chegou à semifinal do Paulista contra o Santos, num time que revelou Felipe, Zelão, Moradei e Everton Santos, e ainda conquistou o título da Série C do Brasileiro, que valeu o acesso.
Desde então, o Bragantino exibe regularidade impressionante na elite paulista e na Série B nacional, sem brigar por títulos, mas sem jamais correr grandes riscos de rebaixamento. "Existe empatia entre o técnico e a diretoria. Os resultados são fundamentais, mas o fato de conhecermos a estrutura e as possibilidades do clube também é decisivo", explica Veiga. "Iniciamos em 2005 um processo de recuperação financeira e técnica do Bragantino e o Marcelo está com a gente desde o início. O clube tinha uma dívida de R$ 32 milhões e nem podia usar seu estádio. Hoje, é de menos de R$ 5 milhões", orgulha-se o presidente Marco Abi Chedid.
Chedid também defende uma mudança de filosofia no comando dos clubes. "Essa justificativa de que é mais fácil trocar um do que 24 na hora de demitir o técnico está errada. Os jogadores têm de saber que o treinador está no comando e que não vai sair. E, se eles não corresponderem em campo, serão afastados."
Nem mesmo o fato de perder quase todo time a cada temporada preocupa Veiga. "Essa é a realidade dos clubes pequenos. A gente tem sempre de garimpar pelo interior e em outros estados", explica. "A folha salarial do Bragantino é de R$ 200 mil e buscamos jogadores que se enquadrem nela."
Mas se engana quem pensa que a longevidade de Veiga no clube o exime de críticas. Suas equipes são consideradas violentas e ele, boca suja. "Meus times não são violentos, apenas marcam forte. Fazemos muitas faltas, mas ninguém é expulso", defende-se. "Já em relação a falar palavrões, é um defeito que estou tentando corrigir. Peço para minha filha e minha noiva me ajudarem."
QUEM É MARCELO VEIGA
TREINADOR FAZ HISTÓRIA NO COMANDO DO BRAGANTINO
Carreira: Foi lateral-esquerdo de vários clubes brasileiros, com destaque para Santos, Inter e Portuguesa. Como técnico, começou a carreira no Lemense e rodou pelo interior até chegar ao Bragantino, em 2004. Saiu rapidamente em 2007, mas voltou quatro meses depois e está até hoje no cargo.
A LONGO PRAZO
3 anos e oito meses à frente do Bragantino está Marcelo Veiga
307 partidas pelo time completou o técnico sábado, contra o Santos
R$ 5 milhões é a dívida que o clube tem atualmente. Em 2005, no início do trabalho de Veiga, esse número era de R$ 32 mi
Com informações do ESTADÃO
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