Central de Noticias
Poucos leitos para muitos pacientes. A professora da rede pública de ensino Maria das Dores Coelho Sousa, de 40 anos, conheceu de perto uma realidade que se observa nos hospitais públicos de São Luís, inclusive nos que são considerados referência de atendimento. No último sábado, a professora veio de Bacabeira com o filho doente, em busca de um leio no Hospital da Criança Doutor Odorico Amaral Mattos, bairro da Alemanha, e durante dois dias aguardou que uma vaga fosse liberada no setor de internação do centro médico, que integra a rede municipal de saúde.
Maria das Dores acompanhava um dos filhos gêmeos, João Pedro Coelho de Sousa, de apenas cinco meses, que apresentava um quadro de febre e diarreia. Segundo ela, o atendimento da equipe de enfermagem de plantão foi muito bom logo que o pequeno paciente deu entrada no hospital. No entanto, a mãe de João Pedro mostrou-se inconformada com a espera pela realização de exames e pelo surgimento de um leito, que se estendeu até a tarde de ontem.
“Meu filho passou mais de 24 horas na observação recebendo soro, e não conseguimos a internação”, queixa-se a professora, observando que outras pessoas teriam dado entrada na urgência depois e conseguido uma vaga antes de João Pedro. O pai do paciente, o fiscal de transporte rodoviário Josedima Fernandes de Sousa, informou que alguns exames chegaram a ser realizados, como de fezes, sangue e raio-X, mas os resultados não indicaram infecção, como temia a família da criança. Até o início da tarde de ontem, os pais do garoto aguardavam o encaminhamento para a realização de uma ultra-sonografia, que esclarecesse a causa da diarreia e da febre.
A cunhada de Maria das Dores, Antônia Maria Neto de Sousa, que vinha ajudando a professora enquanto João Pedro recebia atendimento no Hospital da Criança, lamentou que as duas não fossem autorizadas a permanecer juntas nas dependências do setor de urgência, especialmente quando a mãe lactante precisasse ausentar-se para ir ao banheiro, almoçar ou tomar banho. Antônia de Sousa avaliou como “desumanizado” o atendimento recebido pela família do paciente, pois, de acordo com ela, alguns profissionais teriam agido com má vontade ao atender João Pedro.
HOSPITAL SE DEFENDE
A gerente de enfermagem do Hospital da Criança, Djayna Serra Nunes, recebeu a equipe de reportagem para esclarecer a posição da administração do centro médico, em relação às queixas dos familiares de João Pedro.
Segundo a enfermeira, o Hospital dispõe de apenas 69 leitos para prestar atendimento a pacientes provenientes tanto de São Luís quanto de outros 216 municípios maranhenses. “Vivemos com o problema de superlotação de todos os hospitais públicos”, disse, explicando que, a partir do momento em que as crianças dão entrada na urgência, a transferência de pacientes para o setor de internação segue critérios de prioridade, de acordo com o diagnóstico inicial e a gravidade do quadro clínico.
“Não dispomos de leitos específicos para pacientes com diarreia”, disse Djayna Nunes, explicando que a medicação com soro foi uma forma de assegurar que João Pedro não sofresse desidratação enquanto aguardava um leito. Além disso, a gerente informou ser comum que os pacientes, em especial aqueles vindos do interior, recebessem alta ainda pela manhã, mas a família continuasse ocupando a vaga enquanto aguardava o almoço ou a chegada de um transporte para deixarem as instalações do hospital.
De acordo com Djayna Nunes, o hospital autoriza mais de uma acompanhante por paciente apenas nos casos de recuperação de cirurgias e partos cesarianos, quando as mães podem encontrar grande dificuldade de locomoção. Em relação ao tratamento da equipe de enfermagem, a enfermeira disse que os profissionais do setor cumprem plantões de 12 horas de serviço, seguidos de um período de 48 horas de folga, e que os pais de João Pedro seriam procurados para tentarem identificar quem os teria atendido sem a devida atenção. “No Hospital da Criança funciona o Núcleo de Educação Permanente (NEP), justamente para orientar os funcionários sobre o tratamento aos pacientes e familiares”, disse.
NÚMEROS
69
leitos disponíveis no Hospital da Criança
217
municípios atendidos pelo centro médico
Com informações do Imparcial
0 pessoas comentaram no "Família denuncia falta de leitos no Hospital da Criança"
Deixe o seu comentário
Você deseja ver o seu avatar no seu próximo comentário? Você precisa do Gravatar.
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Portal Jornal Pequeno